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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Revista Link

Voto consciente é a única arma que nenhum candidato consegue comprar

Pesquisar a trajetória do candidato, desconfiar das fake news e acompanhar o eleito depois da eleição fazem parte da escolha

· Atualizado em 14/10/2026 às 14h26

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Há quem reclame da política todos os dias, mas só se lembre dela no momento de votar. Critica os políticos, condena a corrupção, reclama dos serviços públicos e se revolta com os desmandos, mas, diante da urna, muitas vezes escolhe pelo impulso, pela amizade, pela promessa ou pela emoção.

É por isso que votar exige muito mais do que apertar alguns números e confirmar. Exige pesquisar, conhecer a trajetória do candidato, suas realizações, sua vida pública, suas posições e, principalmente, sua coerência entre aquilo que diz, aquilo que já fez e aquilo que pretende fazer.

É preciso também separar propostas de promessas. Governar exige planejamento, conhecimento, responsabilidade, capacidade administrativa e compromisso com o interesse coletivo. Discursos bonitos e soluções mágicas não resolvem problemas complexos.

Outro grande perigo dos nossos tempos é a mentira transformada em informação. As chamadas “fakes news” podem destruir reputações, fabricar heróis e transformar incompetentes em salvadores da pátria. Compartilhar uma notícia sem verificar sua origem pode ser tão irresponsável quanto acreditar em uma promessa sem perguntar como ela será cumprida.

Não precisamos gostar de política para compreender sua importância. Podemos até desejar distância dela, mas não podemos nos afastar de suas consequências. Ela está na escola dos nossos filhos, na saúde, na segurança, nas ruas, nos impostos, no emprego, na qualidade dos serviços públicos e na utilização do dinheiro que pertence a todos.

A tradição republicana também nos ensina que a vida pública deve estar voltada ao bem comum, e não a interesses particulares. Isso exige cidadãos atentos, participação, responsabilidade, respeito às instituições e, sobretudo, vigilância permanente sobre aqueles que recebem o poder por meio do voto.

Por isso, a responsabilidade do eleitor não termina quando a eleição acaba. É preciso acompanhar o político eleito, verificar se cumpre o que prometeu, observar seus atos, suas decisões, suas alianças e sua postura diante do dinheiro público. É preciso cobrar quando errar, reconhecer quando acertar e jamais transformar fidelidade política em cegueira.

Defender um político quando acerta é legítimo. Defendê-lo quando erra apenas porque recebeu nosso voto é transformar a política em torcida organizada.

E democracia não é torcida.

O voto mais importante é o voto consciente, porque, além de expressar a liberdade de pensar e escolher, é uma das poucas armas que o candidato não consegue comprar. Pode comprar espaço, propaganda, influência e tentar comprar consciências. Mas não compra aquele voto que nasce da informação, da reflexão e da convicção.

Esse voto só se conquista com a verdade.

Se queremos políticos melhores, precisamos começar exigindo mais de nós mesmos como eleitores. Não haverá verdadeira mudança política enquanto o cidadão continuar escolhendo sem conhecer, acreditando sem verificar e reclamando sem assumir sua parcela de responsabilidade.

O voto é feito em poucos segundos. Suas consequências, porém, podem durar quatro anos — ou muito mais.

Por isso, antes de escolher o político, devemos escolher a consciência. Porque o voto consciente não é apenas uma arma para mudar o presente.

É o primeiro passo certeiro na direção do futuro que desejamos ter.

Olmair Perez Rillo é membro da Academia Penapolense de Letras (APL), integra a Comissão de Méritos da Câmara Municipal de Penápolis, Conselhos Gestor do Saneamento Ambiental (DAEP) e da Política Urbana, marketólogo, palestrante motivacional, Presiden

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